

Trabalhar com cinema em Pernambuco é para quem ama a sétima arte. Há muitas dificuldades, em todos os estágios da produção. O problema começa em arranjar grana para financiar os filmes. Depois de tudo pronto, encontrar lugar para mostrar a película para os espectadores é outra tarefa hercúlea. É verdade que a situação começa a mudar; há o centro de cinema alternativo (Cinema da Fundação), que é um bom local para exibir esses trabalhos, e concursos como o prêmio Ary Severo de Roteiro, que dá R$ 80 mil ao vencedor. Foi desse incentivo que surgiu Muro, de Tião, curta que ganhou prêmio em Cannes, neste ano. Mas tudo isso ainda está distante de algo que se configure como uma indústria organizada.
Mas, para quem não tem muito dinheiro para investir nas idéias que teve, outras boas alternativas estão por aí, esperando serem apanhadas. Em Vinil Verde (Brasil, 2005), o diretor Kleber Mendonça Filho, que também é crítico de cinema para o Jornal do Commercio (JC) e curador do Cinema da Fundação, utiliza apenas fotografias para contar a história. Além de cortar uma preciosa quantia de dinheiro, esta idéia está intimamente ligada ao filme, que é uma adaptação de uma obra de contos russa. O produto final parece um livro animado. Também guarda resquícios da narrativa inspirada de Chris Marker, em La Jetée, clássico do cinema de ficção que utiliza apenas imagens estáticas e narração seca.
Ou seja, dentro dessa falta de dinheiro, Kleber fez uma película barata e bem integrada ao tema. As fotografias, que ele mesmo tirou, são capazes de dar ao filme um clima de fantasia, que também está presente na narração, logo na primeira frase – “Era uma vez...”. Sobre essa narração, a voz possui um tom misterioso, ambíguo, algo contrário ao que se espera ouvir numa versão falada de um conto. Mas isso também é ponto positivo para o curta, já que o texto original, no qual o trabalho de Kleber se apóia, conta uma história estranha, onde uma voz agradável não teria vez.
A história é simples. Mãe e filha (referidas desse jeito mesmo, sem artigos na frente) vivem juntas numa casa. Certo dia a mãe presenteia a garotinha com uma caixa cheia de vinis. Junto com o regalo, ela faz um pedido: nunca ouça o vinil verde. É claro que, assim que a mãe sai de casa para o trabalho, a menina corre para o quarto e ouve o danado do disco esverdeado. Cada vez que ela faz isso, algo acontece com a mãe... Bem, veja por você mesmo. Basta dizer que, para um conto infantil que lida com o amadurecimento, com a passagem do tempo, o autor utiliza uma boa dose de imprevisibilidade, de humor negro que, a principio, parece deslocado – mas na verdade é o principal tempero da história.
Mas, para quem não tem muito dinheiro para investir nas idéias que teve, outras boas alternativas estão por aí, esperando serem apanhadas. Em Vinil Verde (Brasil, 2005), o diretor Kleber Mendonça Filho, que também é crítico de cinema para o Jornal do Commercio (JC) e curador do Cinema da Fundação, utiliza apenas fotografias para contar a história. Além de cortar uma preciosa quantia de dinheiro, esta idéia está intimamente ligada ao filme, que é uma adaptação de uma obra de contos russa. O produto final parece um livro animado. Também guarda resquícios da narrativa inspirada de Chris Marker, em La Jetée, clássico do cinema de ficção que utiliza apenas imagens estáticas e narração seca.
Ou seja, dentro dessa falta de dinheiro, Kleber fez uma película barata e bem integrada ao tema. As fotografias, que ele mesmo tirou, são capazes de dar ao filme um clima de fantasia, que também está presente na narração, logo na primeira frase – “Era uma vez...”. Sobre essa narração, a voz possui um tom misterioso, ambíguo, algo contrário ao que se espera ouvir numa versão falada de um conto. Mas isso também é ponto positivo para o curta, já que o texto original, no qual o trabalho de Kleber se apóia, conta uma história estranha, onde uma voz agradável não teria vez.
A história é simples. Mãe e filha (referidas desse jeito mesmo, sem artigos na frente) vivem juntas numa casa. Certo dia a mãe presenteia a garotinha com uma caixa cheia de vinis. Junto com o regalo, ela faz um pedido: nunca ouça o vinil verde. É claro que, assim que a mãe sai de casa para o trabalho, a menina corre para o quarto e ouve o danado do disco esverdeado. Cada vez que ela faz isso, algo acontece com a mãe... Bem, veja por você mesmo. Basta dizer que, para um conto infantil que lida com o amadurecimento, com a passagem do tempo, o autor utiliza uma boa dose de imprevisibilidade, de humor negro que, a principio, parece deslocado – mas na verdade é o principal tempero da história.
Na verdade, as situações bizarras que são exibidas poderiam ser interpretadas como metáforas desse tema abordado no curta. O que deixa o trabalho com conteúdo; a cada nova olhada, algum detalhe novo surge.
As fotos que compõem a narrativa indicam noção apurada de enquadramento. Para transformar uma cena em algo que possa ter uma leitura de terror – o que é interessante num conto infanto-juvenil, além de integrado à índole da película –, o corredor da casa onde habita mãe e filha se transforma num espaço imbuído de medo. O caminho que a menina percorre até seu quarto, onde quebra a promessa com a mãe, é visto de frente, enquadrando ao mesmo tempo a filha de costas e a mãe à porta de casa, prestes a sair. É um plano bem ambíguo, que cria ansiedade para a seqüência da trama.
Se for para subverter alguns clichês de contos para jovens, como a não utilização de uma voz macia, que dê luz ao protagonista, em Vinil Verde há outra, talvez ainda mais importante. A música que toca daquele vinil durante a projeção é uma melodia agradável. Mas, sendo utilizada como dispositivo para gerar a maluquice que acontece na história, ela ganha um novo significado. Quando ela é tocada – e também quando a menina pára o vinil, com àquele som abrupto típico de uma vitrola – os espectadores são tomados por apreensão. Ou seja, há uma redefinição de significado para nós espectadores. Somos tomados por diferentes sensações ao longo do filme.
As fotos que compõem a narrativa indicam noção apurada de enquadramento. Para transformar uma cena em algo que possa ter uma leitura de terror – o que é interessante num conto infanto-juvenil, além de integrado à índole da película –, o corredor da casa onde habita mãe e filha se transforma num espaço imbuído de medo. O caminho que a menina percorre até seu quarto, onde quebra a promessa com a mãe, é visto de frente, enquadrando ao mesmo tempo a filha de costas e a mãe à porta de casa, prestes a sair. É um plano bem ambíguo, que cria ansiedade para a seqüência da trama.
Se for para subverter alguns clichês de contos para jovens, como a não utilização de uma voz macia, que dê luz ao protagonista, em Vinil Verde há outra, talvez ainda mais importante. A música que toca daquele vinil durante a projeção é uma melodia agradável. Mas, sendo utilizada como dispositivo para gerar a maluquice que acontece na história, ela ganha um novo significado. Quando ela é tocada – e também quando a menina pára o vinil, com àquele som abrupto típico de uma vitrola – os espectadores são tomados por apreensão. Ou seja, há uma redefinição de significado para nós espectadores. Somos tomados por diferentes sensações ao longo do filme.
Vinil Verde é um curta-metragem que é consciente do cenário cinematográfico onde está inserido e, dentro dele, procura soluções criativas para os problemas que um monte de gente que lida com cinema em Pernambuco possui. É uma história eficiente, que mescla terror e humor negro num filme híbrido que possui várias leituras, onde nenhuma poderia ser considerada ‘errada’. Todas fazem parte de um filme amplo, lúcido e bem feito.
4 comentários:
foi esse o texto que tu mandou pro concurso????
a cogniçao sendo moldada! :P
qd eu tiver com vc quero ver! :*
esse eu nao vi, mas curti
pena q nao ganhou seu texto, ne??
era esse, deveria ter ganho! mas tu comparou mto autor com obra, ne?
beijos
Visão pessoal(apaixonada)/sem noção beirando a queimação :P
Ummm...não sei não.
Não sou boa crítica, como já havia dito em outro comentário (limitações). Não consigo gostar desse filme. Ele me incomoda, e não gosto de filmes que simplesmente incomodam. Consigo perceber todos os elementos que Vc descreve que são importantes na concepção geral de um "bom filme". Toda a intenção de terror, ambiguidade que gera multiplas interpretações, boa música, boas fotografias...
Mas não gosto.Só.
Mas seu texto conseguiu tocar em um ponto específico da meu incomodo. "Lúcido". Vai ver que é pq é lúcido demais. É isso, deve ser isso, Lúcido demais.
:)
Postar um comentário